Familia Garrau Natal em Braga 1947

Familia Garrau Natal em Braga 1947

Entre a 1ª fotografia do clã reunido
em Braga e a 2ª fotografia do 1º Almoço Convívio da Família, passaram 60 anos
A primeira foi tirada em Braga, mais exactamente na Serra do Gerês,no dia de
Natal de 1947,durante o passeio após o Almoço de Natal.
A segunda foi tirada nos jardins de Montes Claros,Lisboa, em Outubro de 2007,no
Almoço Convívio que reuniu grande parte da família


Familia Garrau 2007

Familia Garrau 2007

sábado, 25 de setembro de 2010

O TIO ANTÓNIO 1884-1913

O tio António e o tio José são os membros mais lendários da família Ferreira. Mas como vamos falar do tio António, deixo a lenda do Tio José para outra ocasião. As minhas fontes de informação foram três: a avó Maria e a tia Gracinda,que traçaram do enteado e irmão um perfil muito revelador e a” Habilitação de Herdeiros”para partilhas do Avô Ferreira,que me forneceu pequenos pormenores, como datas e o local das 2  casas onde o Avô Ferreira habitou em Lisboa e onde nasceram os filhos.
O tio António, tal como os irmão Gracinda e José,nasceu em Lisboa, na Rua dos Mouros, nº 51,freguesia de Nossa Senhora da Encarnação, em 1884 e faleceu, também em Lisboa, em 1913,na rua de S.Cristovão nº 25,Sendo um filho, enteado e irmão muito estimado, quase venerado, é  um grande desconhecido para as gerações que vieram depois. No entanto ele foi a pessoade quem a avó Maria   falava com mais emoção quando recordava acontecimentos do passado
 Quando .a mãe morreu, ele tinha dezasseis anos e começara a trabalhar como amanuense numa repartição, dizia a Avó; que trabalhava num cartório afirmava a Tia Gracinda.Inclino-me mais para o cartório,pois tambem afirmavam que era uma pessoa culta,embora autodidata.
Até o pai voltar a casar (o que não demorou muito, apenas oito meses) continuou a viver na rua de S.Cristovão com os irmãos.Mas uns meses depois do casamento , alugou um quarto num prédio onde vivia um amigo, de quem ainda viremos a falar, quando contar a história da tia Gracinda. 
Quando a avó Maria e a tia Gracinda falavam desta deliberação  do enteado e irmão, eu quase não acreditava que um rapaz de 16 anos, decidisse assim a sua vida, ou fosse suficientemente independente para o fazer. Mas os tempos eram outros e as crianças aprendiam a ser homens e mulheres muito cedo. O meu pai e os meus tios, vossos pais, e avós, com 17 /20 anos, não só eram materialmente independentes como estavam casados e responsáveis pelas famílias. Voltemos ao tio António
Segundo o testemunho da avó, ele passou de rapaz" certinho" como ela dizia, a homem ponderado, respeitado no emprego, estimados entre os amigos, Parece que tinha a FAMÍLIA em grande conta, pois ia jantar ( o jantar nessa altura era ao meio dia) a S.Cristovão todos os domingos, levando sempre ao pai, uma garrafa de bom vinho. Nessas tardes, pai e filho tinham longas conversas mas ele guardava sempre um pouco de tempo para os irmãos, mesmo para o mais novo, o meu pai, que teria por essa altura 4/5 anos. Além disso levava-lhes rebuçados. acrescentava a avó, quase enternecida.
A tia Gracinda traçava outro perfil do irmão. Dizia que era um “dândi”, um homem de bom gosto, muito educado, cultivando-se a ele próprio, frequentador de bibliotecas, do passeio público, e segundo a irmã,  sempre elegantemente vestido, muito bonito com o seu belo bigode.
Tinha 29 anos quando um tumor no cérebro o vitimou em poucos meses.Nessa altura regressou a casa do pai, que não poupou dinheiro para o salvar. Morreu nos braços da avó e da tia Gracinda e a sua morte foi um drama para a família, mas principalmente para o avô Ferreira que apesar do seu ar seco, distante, muito à Ferreira, adorava aquele filho, com quem conversava longamente sempre que estavam juntos, que fazia o seu orgulho pela escolha certa da sua vida, pelo respeito que ele merecia a todos os que o conheciam 
Seriam as recordações da avó Maria e da Tia Gracinda sobre o nosso tio mais velho, correctas, ou eram alimentadas pela amizade e a imaginação de ambas? Pode ser que o tio António não fosse o Homem perfeito que ambas descreviam; mas que era um belo e elegante personagem do século passado, era com certeza, como testemunhava o  retrato que a tia Gracinda possuía. Além disso, um homem que mereceu tais louvores de duas mulheres era de certeza um homem bom

Tenho muita pena desta minha veneta de investigar profundamente a família, não tenha começado mais cedo. Teria conversado com o Tio Henrique que, com 12 anos, decerto recordava bem o irmão, principalmente a  sua morte, que tendo sido um drama para a família, muito mais deve ter sido para uma criança de 12 anos;com o Tio Zé, que embora muito ausente, de alguma coisa deveria lembrar-se;Até com o tio Luis,tão pronto como a mâe a recordar e a contar, Apesar de ter nascido 3 meses depois da sua morte, decerto durante infância ouviu falar dele
Era jovem e tonta demais para compreender como é importante saber quem somos, deixar testemunho de quem foram, como agiram aqueles que nos precederam. Sem isso, sem deixar alguma coisa de sólido sobre o passado, a nossa permanência na terra fica um pouco sem sentido.

1 comentário:

  1. Se naquela altura já existissem estas novas tecnologias - internet, blogues, facebook... seria hoje muito facil compilar as histórias da Familia! Mas não, não havia! Assim só a memória dos "antigos" é que nos pode trazer estas belas histórias! A memória e a perseverança....de alguem, que insiste (e muito bem)em deixar às gerações futuras estes belos documentos. Obrigado Tia Mimi

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