Familia Garrau Natal em Braga 1947

Familia Garrau Natal em Braga 1947

Entre a 1ª fotografia do clã reunido
em Braga e a 2ª fotografia do 1º Almoço Convívio da Família, passaram 60 anos
A primeira foi tirada em Braga, mais exactamente na Serra do Gerês,no dia de
Natal de 1947,durante o passeio após o Almoço de Natal.
A segunda foi tirada nos jardins de Montes Claros,Lisboa, em Outubro de 2007,no
Almoço Convívio que reuniu grande parte da família


Familia Garrau 2007

Familia Garrau 2007
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A pior ruga é a que se instala na alma

  Quando ando nas lides caseiras o pensamento não pára e surgem-me ideias sem fim para escrever aqui! Mas não há nada menos inspirador do que esta folha em branco! “O pensamento resulta de uma viagem imaginária por dentro do cérebro, guiada por sensações, paisagens e ideias”. É precisamente isso que me acontece quando vagueio por aí, às vezes bem zangada com algo que me perturbou, outras vezes contente pelas pequenas coisas que correm bem! Tenho pena que as coisas que me fazem zangar tenham “mãozinha” humana, mas têm…….e às vezes fazem-me zangar para” dentro” e muito. Peço que nunca me façam zangar para” fora”! Às vezes também estou cansada da ignorância, da má formação, das “guerrinhas” sem nexo!
Estamos a chegar àquela época do ano que eu não gosto! Perdoem-me o desabafo do fundo do coração mas é a “minha” verdade! O Natal é a festa da família! Pois simbolicamente acho que é efectivamente verdade, mas eu tenho família o ano inteiro! Já sei, vão-me dizer que alguns estão longe, é nesta altura que fisicamente se conseguem juntar! Pois continuo absolutamente céptica! Nos dias de hoje essa frase já não faz sentido! Há telefones, telemóveis, computador até com câmaras de vídeo para nos podermos ver e falar! Passar um ano inteiro sem grande preocupação se estamos vivos ou mortos e depois nesta altura festejar a família? Não, nesta altura é para mim igual a todo o ano! Preocupo-me sempre em saber se os meus estão bem, se precisam de mim, cuido dos que precisam, telefono a quem está um pouco mais distante para saber se tudo corre bem, se são mais velhos e possam ter estado doentes preocupo-me com mais frequência ainda em saber como estão.  É certo que há a chamada família restrita e a família alargada, mas o que me faz zangar mesmo é aqueles que mesmo em relação à família restrita passam dias, semanas, meses sem saber como estão! E de repente vem o Natal e “dá-se prendas de Natal”……………….Um dia li uma frase que achei divinal “ A família é um conjunto de pessoas que usa a mesma garrafa de azeite” Ora para ele não ficar rançoso convém que estejam juntos à mesma mesa várias vezes por ano!
Viver é de facto uma obra de arte não assinada! Poucos são artistas!
Viver é fácil, perceber como devemos viver é que é difícil!

segunda-feira, 29 de março de 2010

AS GERAÇÕES MAIS NOVAS



Tal como o Arlindo e o Pedro, também eu, por vezes, lamento que as gerações mais novas não

dêem o seu contributo para a “saga” dos Garraus que nós, os mais velhos, tentamos fazer

E mais pena tenho que não se apercebam do motivo porque o fazemos. É certo que o fazemos porque gostamos e que ninguém nos encomendou recordar o passado para que ele esteja presente no futuro. Mas é muito desolador sermos apenas “uns”e não pessoas que têm antepassados comuns que nos legaram tradições e costumes e que fazem o possivel pormanter esses elos.

Mas compreendo-os.A vida tornou-se tão frenética, tão cheia, que nem dá para ver como por vezes ela é vazia. Também é mais fácil escrever no face book do que num blogue. O blogue tem que ter uma alma. Podemos dar erros ortográficos, indesculpáveis nos meus tempos de instrução primária, mas isso não impedirá que os sentimentos que pretendemos exprimir sejam compreensíveis. E para maior parte dos nossos jovens, além de ser difícil escrever é ainda mais difícil expressar ideias.

Por outro lado, têm tanto à sua disposição! No nosso tempo (e não uso este termo como uma bandeira) não havia televisão, jogos on line, playstation.Não saíamos com grupos de amigos podendo regressar à hora que quiséssemos. Não íamos para campos de férias sem os pais. Isso deixava-nos imenso tampo para pensar. Porque nas horas não ocupados pelo estudo e por aquilo que chamávamos obrigações (obrigação de arrumar o quarto antes de ir para a escola, obrigação de pôr a mesa, obrigação de ajudar,) restava-nos pensar, principalmente quando já não brincávamos com bonecas ou o arco e a vareta. Não se tratavam de altos pensamentos filosóficos, dávamos apenas livre curso à imaginação

Eu tive a sorte de, num período importante da minha vida, dos 11 aos dezoito anos, conviver com a minha avó Maria,que vivia connosco em Braga.

Por razões diversas éramos duas solitárias. Ela, porque devido a males do coração, não podendo frequentemente ao rés do chão vivia confinada no seu quarto, tendo por interlocutora avó Eucária. Eu, porque gostava muito de ler e pouco de falar (como eu mudei com respeito ao falar!) passava a vida no meu quarto, mesmo ao lado da avó Maria.

Aprendi rapidamente que a avó era uma infatigável contadora de histórias, não só de lendas, contos tradicionais, dos reis de Portugal e suas respectivas esposas, mas histórias da sua aldeia, da família, dos parentes, do seu casamento, do marido, dos tempos em que viveram em Lisboa e depois no Casal, até o Avô Ferreira morrer.Com treze anos eu conhecia a família tão bem como se sempre tivesse vivido com eles. Fazia-me ter calor quando falava no verão nas Carreiras e sentia-me aconchegada quando descrevia a grande cozinha da aldeia. Conheci assim o Zé Vineta e a Virtudes.Fez-me até sentir o sabor das belas cerejas do Casal da Cerca, o cheiro do trem em que se deslocavam a Torres Vedras.

Sem televisão, sem telemóvel para falar com as amigas, sem o Messenger, sem mesada, sem charros, a avó Maria, e as suas recordações tão vivamente recordadas foram as minhas grandes companheiras. e penso que foi ela que criou em mim, estas fortes raízes onde se fixa o meu entusiasmo. pelo passado.

Nos sessenta a anos de intervalo entre essa época e o momento presente, também escrevi pouco, não tive grandes ideias não me tornei peregrina dos lares familiares.Também eu vivia a minha vidinha não esquecendo os costumes familiares,as recordações da avó,mas sem me deter nelas ou desejar transmiti-las

Quase por acaso,num brincadeira, a Gazeta dos Garraus foi o grande elo de ligação entre alguns de nós.aproximando a familia,revendo parentes que já não víamos há muito,fazendo que os mais jovens se conhecessem.

O nosso magnífico 1ºAlmoço Convívio não foi repetido com o mesmo interesse? Que havemos de fazer? Os que nos reunimos nos nossos bem-humorados e apetitosas almoços, somos bastantes.

Os jovens não colaboram? Tenho pena, mas concordo que as suas inúmeras ocupações serão bem mais interessantes que escreverem no Blogue:- Olá pessoal, estamos vivos, não temos é tempo, nem assunto para cotas” sigamos em frente. E pensemos como o filósofo:

“ah! se os novos soubessem e os velhos pudessem!”

O