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A véspera de Natal, era um dia maravilhoso, quase mágico Quando nos levantávamos já ia grande azáfama na cozinha. Alguidares de barro onde se preparava a massa dos fritos, panelas e tachos, enormes couves conviviam na cozinha e começava a aflorar o cheiro da carne assada, dos rojões, da canela e da erva doce
A Fernanda, eu e a Malena, que geralmente alinhava connosco.escapulíamo-nos para a cidade, para as ultimas compras. Era o tempo em que não existiam papéis especiais para o Natal, fitas brilhantes ou etiquetas especiais para os nomes. Se queríamos fazer embrulhos bonitos para os presentes. tínhamos que improvisar com papel celofane e fita de seda .
O almoço era o que hoje chamamos, à francesa, de buffet. Era uma refeição ligeira à base de pratos já preparados, de modo a guardar o apetite para a Consoada.
A tarde passava-se em grande excitação, principalmente quando os tios que estavam no hotel, chegavam com grandes sacos que eram imediatamente levados para a copa anexa à cozinha, onde a Anami e a Fernandinho não tinham permissão para entrar. A desculpa, que até era verdadeira, era o perigo que o grande fogão de lenha com as suas seis bocas, fornos e caldeira representava.
Havia uma pausa na barafunda, quando o Sr Arcipreste, que era amigo da casa, vinha cumprimentar e dar a comunhão à avó Maria. Logo que ele partia dava-se inicio à Consoada: bacalhau, couve penca, batatas e ovos, fruta e queijo. Nada de doçuras que eram guardadas par a Ceia depois do pai Natal chegar.
Este fazia a sua solene aparição ao bater da meia noite no sino da igreja. Apagavam-se quase todas as luzes,deixando a sala numa conveniente penumbra,o tio Henrique agitava os guizos, sinal que as renas que puxavam o trenó tinham chegado e a Chicha vestida a rigor de Pai Natal com barbas e cabeleira branca que só deixavam ver os olhos, seguida da Luísa e da Ana, que de criadas tinham subido à categoria de anjos, com asas e tudo,passavam pelo corredor,os "anjos" largavam os sacos com as ofertas e desapareciam.Acendiam-se as luzes e tal como hoje felizmente ainda é, adultos e crianças partilhavam aquele momento de felicidade.Não só pelas prendas mas por estar a Família li reunida,várias gerações que seguiam aquele ritual há tantos anos,quantos se lembravam. Finalmente depois de cearmos e do ultimo chá.toda a gente ia dormir em Paz e muito felizes.
Os nossos pais que eram bastante rigorosos nas regras de pontualidade nas refeições, no dia de Natal abriam uma excepção e cada um vinha quebrar o jejum à hora que lhe apetecia.Essa infracção ás regras estava mais na”composição” da mesa do que no horário. Geralmente os mais velhos vinham mais cedo, enquanto a gente nova dormia mais um pouco.Tambem o “pequeno-almoço era diferente. Ao habitual café com leite e pão com manteiga ou chá e torradas juntava-se o presunto, o queijo, as filhoses, as rabanadas e o bolo-rei.
Com a convivência com os novos amigos bracarenses, a minha mãe adoptara vários hábitos locais. Um deles, era a a mesa estar sempre guarnecida com os doces tradicionais da Noite da Consoada até até ao dia de Ano Novo.
É claro que a toalha era sacudida ou mudada e fazia-se arroz doce, aletria, rabanadas à medida que as travessas ficavam vazias. Além disso, os meus tios, traziam sempre um “mimo” : ou as celebres “frigideiras”( massa folhada recheada de carne de aves),empadas, ou” bolos finos” como as empregadas chamavam à pastelaria de compra
Ao almoço, comíamos a "Couvada" ou “Roupa Vélha” uma mistura de todos os ingredientes que tinham sobrado da véspera longamente “estrugidos em azeite e alho. Depois de tudo parecer quase desfeito, deitava-se em grandes assadeiras de barro, esfarelava-se broa por cima e era tudo completado com nuvens de clara batidas em castelo bem firme. Ia ao forno,o azeite subia inundando a broa e as claras. Era um verdadeiro manjar dos Deuses.
Após o almoço, se estava bom tempo, o que quase sempre acontecia, dias muito frios, mas claros e sem chuva, a caravana de carros partia para o Ermal,a grande albufeira situada em Guilhofrei.Regressavamos a casa, continuávamos a falar dos presentes ,( que em atenção às duas mais pequenas, eram mencionados como belas dádivas do Menino Jesus que o Pai Natal tinha trazido ) e após um serão passado junto da avó Maria os tios regressavam ao hotel e os da casa recolhiam-se, o que não quer dizer que fossemos dormir.As conversas continuavam até que realmente estivéssemos a cair de sono.
E assim terminava a época do Natal, para começar outra que que significava muito para nós: os ensaios, agora mais a sério da “grande Gala” que era levada à cena no aniversário da minha mãe, 28 de Dezembro.
continua
O almoço era o que hoje chamamos, à francesa, de buffet. Era uma refeição ligeira à base de pratos já preparados, de modo a guardar o apetite para a Consoada.
A tarde passava-se em grande excitação, principalmente quando os tios que estavam no hotel, chegavam com grandes sacos que eram imediatamente levados para a copa anexa à cozinha, onde a Anami e a Fernandinho não tinham permissão para entrar. A desculpa, que até era verdadeira, era o perigo que o grande fogão de lenha com as suas seis bocas, fornos e caldeira representava.
Havia uma pausa na barafunda, quando o Sr Arcipreste, que era amigo da casa, vinha cumprimentar e dar a comunhão à avó Maria. Logo que ele partia dava-se inicio à Consoada: bacalhau, couve penca, batatas e ovos, fruta e queijo. Nada de doçuras que eram guardadas par a Ceia depois do pai Natal chegar.
Este fazia a sua solene aparição ao bater da meia noite no sino da igreja. Apagavam-se quase todas as luzes,deixando a sala numa conveniente penumbra,o tio Henrique agitava os guizos, sinal que as renas que puxavam o trenó tinham chegado e a Chicha vestida a rigor de Pai Natal com barbas e cabeleira branca que só deixavam ver os olhos, seguida da Luísa e da Ana, que de criadas tinham subido à categoria de anjos, com asas e tudo,passavam pelo corredor,os "anjos" largavam os sacos com as ofertas e desapareciam.Acendiam-se as luzes e tal como hoje felizmente ainda é, adultos e crianças partilhavam aquele momento de felicidade.Não só pelas prendas mas por estar a Família li reunida,várias gerações que seguiam aquele ritual há tantos anos,quantos se lembravam. Finalmente depois de cearmos e do ultimo chá.toda a gente ia dormir em Paz e muito felizes.
Os nossos pais que eram bastante rigorosos nas regras de pontualidade nas refeições, no dia de Natal abriam uma excepção e cada um vinha quebrar o jejum à hora que lhe apetecia.Essa infracção ás regras estava mais na”composição” da mesa do que no horário. Geralmente os mais velhos vinham mais cedo, enquanto a gente nova dormia mais um pouco.Tambem o “pequeno-almoço era diferente. Ao habitual café com leite e pão com manteiga ou chá e torradas juntava-se o presunto, o queijo, as filhoses, as rabanadas e o bolo-rei.
Com a convivência com os novos amigos bracarenses, a minha mãe adoptara vários hábitos locais. Um deles, era a a mesa estar sempre guarnecida com os doces tradicionais da Noite da Consoada até até ao dia de Ano Novo.
É claro que a toalha era sacudida ou mudada e fazia-se arroz doce, aletria, rabanadas à medida que as travessas ficavam vazias. Além disso, os meus tios, traziam sempre um “mimo” : ou as celebres “frigideiras”( massa folhada recheada de carne de aves),empadas, ou” bolos finos” como as empregadas chamavam à pastelaria de compra
Ao almoço, comíamos a "Couvada" ou “Roupa Vélha” uma mistura de todos os ingredientes que tinham sobrado da véspera longamente “estrugidos em azeite e alho. Depois de tudo parecer quase desfeito, deitava-se em grandes assadeiras de barro, esfarelava-se broa por cima e era tudo completado com nuvens de clara batidas em castelo bem firme. Ia ao forno,o azeite subia inundando a broa e as claras. Era um verdadeiro manjar dos Deuses.
Após o almoço, se estava bom tempo, o que quase sempre acontecia, dias muito frios, mas claros e sem chuva, a caravana de carros partia para o Ermal,a grande albufeira situada em Guilhofrei.Regressavamos a casa, continuávamos a falar dos presentes ,( que em atenção às duas mais pequenas, eram mencionados como belas dádivas do Menino Jesus que o Pai Natal tinha trazido ) e após um serão passado junto da avó Maria os tios regressavam ao hotel e os da casa recolhiam-se, o que não quer dizer que fossemos dormir.As conversas continuavam até que realmente estivéssemos a cair de sono.
E assim terminava a época do Natal, para começar outra que que significava muito para nós: os ensaios, agora mais a sério da “grande Gala” que era levada à cena no aniversário da minha mãe, 28 de Dezembro.
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