Familia Garrau Natal em Braga 1947

Familia Garrau Natal em Braga 1947

Entre a 1ª fotografia do clã reunido
em Braga e a 2ª fotografia do 1º Almoço Convívio da Família, passaram 60 anos
A primeira foi tirada em Braga, mais exactamente na Serra do Gerês,no dia de
Natal de 1947,durante o passeio após o Almoço de Natal.
A segunda foi tirada nos jardins de Montes Claros,Lisboa, em Outubro de 2007,no
Almoço Convívio que reuniu grande parte da família


Familia Garrau 2007

Familia Garrau 2007

domingo, 17 de janeiro de 2010

O ORATÓRIO DA AVÓ

O oratório da avó Maria, fazia o nosso encanto e merecia o nosso temor.
Era enorme, com o interior forrado com um tecido adamascado e o exterior de madeira negra com um grande e trabalhado florão no alto. Tinha uma porta de vidro, com pinturas douradas a formarem uma moldura e na fechadura uma imponente chave que a avó ornamentara com fitas de seda vermelha.

Eu sei que naquele tempo as máquinas fotográficas eram para os ricos,para os profissionais e talvez para os excêntricos. Mas foi uma pena tal peça não ter sido fotografado.

Além dum crucifixo onde a imagem de Cristo padecia, havia santos e santas, jarras com flores de papel e uma lamparina de azeite que estava sempre acesa. Mudar o pavio à lamparina eram momentos de grande emoção para mim e para a Fernanda, mãe e avó de muitos de vós,

A avó nunca se deitava nem levantava, sem se ajoelhar em frente do oratório e fazer as suas longas orações.E para nós, era um costume que adorávamos cumprir quando estávamos de férias em S.Cristovão.

Mas o Oratório tem uma História, que só mais tarde viemos a compreender.

Embora não fosse homem de missas e igrejas, o avô Ferreira não se opunha à crença e práticas religiosas da avó. Recebia até A Cruz pela Páscoa,e entendia-se amigavelmente com o prior.Mas…

Enquanto viveram em Lisboa, mesmo ao lado da Igreja de S, Cristóvão e o avô partia todos os dias bem cedo para o seu trabalho na alfândega, a avó Maria ia à igreja quantas vezes queria e não perdia a missa do domingo. Regressados à aldeia, quando o avô Ferreira se reformou por doença, não se mostrou tão tolerante às idas da avó à missa de domingo e muito menos às idas à igreja.Mas como era homem inteligente, não se opôs abertamente. Mandou fazer um magnífico oratório, permitiu que a Avó Maria lá colocasse quantos santas e santos desejasse e depois deve ter-lhe dito:
: Deus está em todo o lado, Na Igreja ou aqui, a missa pode ser rezada. E Deus, ficará muito mais satisfeito que tu cumpras o teu dever para comigo que preciso dos teus cuidados a toda a hora do que vás à igreja.
Não duvido que até tivesse contribuído com avultado donativo e que o padre da freguesia tivesse vindo benzê-lo.Como disse,o avô Ferreira era um homem bastante psicólogo,e sabia muito bem a melhor maneura de levar aàgua ao seu moínho

A partir da chegada do Oratório,as visitas da avó à Igreja passaram a ser muito raras e só quando a solenidade do facto o justificava.Uma delas,segundo contava a avó, era o dia em que todos os anos era rezada uma missa por alma dos respectivos pais.E de tal maneira ficou condicionada ao desejo do avô, que, já depois de viúva e a dois passos da igreja, onde ia todos os dias, continuava a dizer a sua missa caseira, com os mesmos gestos que o sacerdote na igreja



1 comentário:

  1. Como é interessante lermos estas histórias antigas! Que pena não termos fotografias desse Oratório. Será que ninguem tem?

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