Fizeram-me
uma vez uma pergunta e apresentaram-me um argumento que só
agora assumi o seu valor. A pergunta foi feita pela minha neta Sara, teria
então dez ou 11 anos: o argumento pela minha amiga Lita que completara 70 .
A
pergunta deixou-me um pouco embaraçada. Ela queria saber porque é que os
velhos, mesmo os maçadores e os maldosos mereciam sempre respeito. À Sara não
podia responder com uma resposta indireta. Disse-lhe que alguns idosos, pela
sua experiência da vida, pela sua fragilidade, mereciam o nosso carinho e
respeito, principalmente se pertenciam à nossa família e eram considerados por
ela com carinho e deferência Mas é claro que nem todos eram seres bondosos, que
tinham com as crianças uma grande ligação humana.Com os primeiros, além de respeito
devíamos amá-los, entender as suas histórias de meninos, tantas vezes cheias de
interesse. Aos outros devíamos atenção e cortesia porque talvez tenham tido
problemas na vida que os deixaram amargos e rancorosos.
A minha
amiga Lita ensinou-me que a nossa maneira de viver e de compreender os outros,
muda de dez em dez anos. Mas poucos somos os que nos apercebemos disso. Há uma
diferença que todos notam, entre a adolescência e os trinta anos. Depois, mais ligeiramente,
entre os trinta e os cinquenta.Aí as diferenças já começam a parecer maiores. Mas
essa diferença começa a ser enorme quando chegamos aos setenta. Porque os velhos
já se esqueceriam que foram jovens e os jovens ainda não sabem que um dia serão
velhos. A geração anterior anda muito ocupada com a sua própria vida, os seus problemas,
os seus sonhos, alguns desfeitos e, por amor ou por acharem que os pais não os compreenderão,
não os envolvem nas suas vidas Os jovens, mesmo que tenham tido uma convivência
intima com os avós e até os amam, pensam egoisticamente como é próprio da
mocidade, que é muito mais divertido reunirem-se com os amigos do que visitar
os “velhos” a não ser em algum acontecimento ocasional. A Família continua a
ser Família, mas cada membro dela vive a sua vida com pensa que tem direito a vive-la Mas cada um de nós, família ou não, deve conseguir
um pouco de tolerância, compreensão e acima de tudo de verdade, nas relações
que mantem com os outros. Não pode haver paz entre um casal, dois irmãos, dois amigos, se
cada um não estiver disposto a ceder um pouco.A Lita tinha um ditado galego que dizia"até aos setenra tudo se aguenta".Mas eu penso que é depois dos setenta que terenos que fazer um esforço maior para viver o resto do nosso tempo, em paz apreciando o que temos não fazendo do que não temos uma tragédia e uma amargura.É por isso que acho que os velhos,para além da sabedoria que acumularam são, de todas as fases da vida duma familia as pessoas mais fortes.
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