Familia Garrau Natal em Braga 1947

Familia Garrau Natal em Braga 1947

Entre a 1ª fotografia do clã reunido
em Braga e a 2ª fotografia do 1º Almoço Convívio da Família, passaram 60 anos
A primeira foi tirada em Braga, mais exactamente na Serra do Gerês,no dia de
Natal de 1947,durante o passeio após o Almoço de Natal.
A segunda foi tirada nos jardins de Montes Claros,Lisboa, em Outubro de 2007,no
Almoço Convívio que reuniu grande parte da família


Familia Garrau 2007

Familia Garrau 2007

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O TioHenrique e o Teatro Nacional


Falando sobre o tio Henrique, veio-me à memória um dos episódios mais engraçados que a avó Maria contava
Estamos em 1917.tinha ele 16 anos..Os nossos avós, viviam em Lisboa na rua de S. Cristóvão, Embora continuassem profundamente enraizados no mundo rural e tencionassem regressar à Aldeia logo que o avô Ferreira se reformasse, tinham-se adaptado à cidade e aos seus costumes. Um dos que mais apreciavam era irem ao Teatro Nacional, quando abria a temporada de peças Shakespearianas as quais muito apreciavam (já com bastante idade, a avó ainda falava do Romeu e Julieta  a  Fera amansada e outras.) O grande acontecimento cultural do ano era justamente irem assistir a uma das peças do  Mestre
A avó Maria descrevia duma forma muito pitoresca, a grande aventura que era esse acontecimento. O avô Joaquim Francisco fazia questão que toda a família tomasse parte nele, incluindo a filha e o genro, os filhos,  incluindo os mais pequenos a ama do mais novo (o tio Humberto) e a doméstica, que avó Maria se recusava a deixar sozinha em casa.
 O dia começava com a avó e a criada a preparem  os frangos  assados, pasteis de bacalhau,  arroz doce e pão de ló. Nesse tempo, os camarotes do Teatro Nacional e do Coliseu, tinham uma antecâmara, pois os espectáculos começavam às seis horas e prolongavam-se até às dez, com largos intervalos para os espectadores jantarem, ou cearem como se dizia na altura e onde as crianças que frequentavam os espectáculos mesmo os bebés, podiam dormir. Para essa ocasião, o avô comprava um camarote e combinava de véspera com o cocheiro do trem de aluguer, ir buscar a Família às cinco horas do dia do espectáculo. No trem, embarcavam os nossos avós, a filha, os dois pequenos a ama e a criada Caminhando, iam o marido da tia Gracinda, Abílio,  o tio Henrique, e o meu pai O trem descia ao Largo do Caldas, seguia pela rua da Madalena, rua da Betesga, em direcção ao Rossio, chegando pelo lado norte, ao Teatro Nacional D. Maria. Parava em frente à colunata do teatro, onde o tio Abílio e o tio Henrique e meu pai os esperavam. Aí, para grande aflição do tio Henrique,formava-se o cortejo em direcção ás escadarias que levavam ao camarote Com o  avô  Ferreira à frente, seguia a avó com o tio Luis pela mão. a ama com o tio Humberto ao colo, e a criada com o cesto do farnel,  o meu pai e o Tio  Henrique que eram requisitados para levarem as mantas e as almofadas. O cortejo atravessava vagarosamente o vasto átrio da entrada e o tio Henrique contava que era um momento terrível para ele, que temia encontrar algum rapazes seus conhecidos, mais ou menos ligados às artes, Sentia-se também bastante vexado, pois embora já trabalhasse, tivesse a chave de casa e fosse autorizado a beber um copo de vinho com a comida, naquele dia o pai equiparava-o ao irmão. um rapazeco de 8 anos.


1 comentário:

  1. Obrigada! Depois da "neura" ao ler as últimas noticias sobre o FMI, foi uma lufada de ar fresco ler esta mensagem! Imagino como se sentiria um adolescente com todo este "aparato" numa ida ao Teatro Nacional!

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