Era a semana em que os ensaios para a récita que oferecíamos à Família, e a todo o agregado da casa,no dia 28 de Dezembro,eram levados muito a sério.
A Leonor, empregada do tio Henrique, passava à categoria de actriz. O nosso maior problema era a música. Como só havia duas executantes, as cenas tinham que ser muito bem combinadas. E por acréscimo, tínhamos as faltas da Manela aos ensaios e quando chegava, era sempre atrasada.
Com o Guarda Roupa, tudo bem.a Chicha e a tia Palmira, usavam a imaginação e o talento para nos vestirem o melhor possível, o Tio Henrique arranjava as luzes da ribalta e no dia 28 de Dezembro, às 21 horas, começava o espectáculo.Melhor do que descreve-lo, será verem as fotografias.
É claro que foram muitos os episódios dessas récitas, como aquele em que a Fernanda que fazia de D.Martinho de Aguilar, lembrou-se de colar a barba que ornamentava o nobre rosto do ansião, com uma leve”aragem” de cola e depois teve que literalmente pôr as” barbas de molho” Felizmente que era o último número. Caso contrário a “fada” da “Dança das Fadas”apresentaria respeitáveis barbas, que no caso, eram barbas das massarocas dos milhos.
No dia 31,todos esperávamos a meia-noite, com a vaga sensação que a Festa ia acabar. A Malena, a Fernanda e eu, tínhamos mesmo uma “crise” emocional. Pouco antes da meia-noite, íamos para o terraço do meu quarto,e chorávamos rios de lágrimas sem que nunca qualquer de nós explicasse porque era a choradeira. Também nunca tínhamos a “crise” a seguir à meia-noite, o que nos faria perder parte da gostosa ceia que era servida depois de soarem as doze badaladas e de todos desejarem uns aos outros um bom ano.
No primeiro dia do ano se o tempo estava bom, e para nós, o tempo bom era não chover, levávamos o resto da ceia e fazíamos um piquenique na” Portela do Extremo” em Arcos de Valdevez.
Quando nessa noite nos deitávamos, sabíamos que tinham acabado aquela maravilhosa época de convívio e alegria. Dentro de dias todos partiriam e a Casa de Maximinos voltaria a ser o enorme casarão que parecia sempre vazio.




Tenho "inveja" das gerações mais novas pois ficam aqui com "material" fantástico sobre as suas origens. Que pena tenho de quando era jovem e ouvia histórias antigas contadas pela minha mãe, não ter nunca dado a importancia devida e hoje não poder reproduzi-las.
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