Familia Garrau Natal em Braga 1947

Familia Garrau Natal em Braga 1947

Entre a 1ª fotografia do clã reunido
em Braga e a 2ª fotografia do 1º Almoço Convívio da Família, passaram 60 anos
A primeira foi tirada em Braga, mais exactamente na Serra do Gerês,no dia de
Natal de 1947,durante o passeio após o Almoço de Natal.
A segunda foi tirada nos jardins de Montes Claros,Lisboa, em Outubro de 2007,no
Almoço Convívio que reuniu grande parte da família


Familia Garrau 2007

Familia Garrau 2007

domingo, 19 de dezembro de 2010

O NATAL EM MAXIMINOS 111 (continuação)

Por esta altura, já as minha primas, acompanhadas da Leonor, empregada doméstica e nossa colega na “gala” que realizávamos no Fim do Ano, tinham chegado e a alegria era geral.Dividíamos o tempo em passear na quinta, ir à cidade fazer as nossas compras de pequenas lembranças para oferecermos no Natal, ou ir ter com a Tia Alice ao Hotel Central.
 A Tia Alice era muito”liberal”para aqueles tempos de pessoas sisudas e não hesitava 
em ir connosco ao Campo da Vinha ver a Feira Semanal, uma feira onde se vendia de tudo, desde mobílias, bois e vacas, cangas, dornas para o vinho, alambiques para fazer aguardente e loiça de barro. Ou, melhor ainda, lavava-nos a lanchar à Benamor.
Uma semana antes do Natal, chegava o tio Humberto, a tia Palmira e a Ana 
Maria, também acompanhados pela empregada, GIGI. 
Embora os meus tios ficassem alojados no Hotel, a Ana Maria e a Gigi ficavam connosco. E finalmente na ante véspera, chegava o tio Luís e a família  que eram igualmente nossos hóspedes.
A casa era tão grande que não havia qualquer problema de alojamento. O “quartel-general”  da gente nova , era no 1º andar, para onde eu me mudava, cedendo o meu quarto  para a Gigi ficar com a Ana Maria.. Tanto eu como a Chicha ansiávamos por esse momento, pois lá em cima nós e o pessoal doméstico fazíamos grandes farras pela noite dentro (por vezes até à meia noite!!!) que acabavam quase sempre com café com leite ,quente e “moletinhos”uma espécie de pães-de-leite com canela.
Quanto ao trabalho, que também aumentava consideravelmente, não havia problema. A Ana e a Luísa eram ajudadas pela Leonor e pela Gigi, além de que, a Senhora Maria, mulher do caseir, subia à categoria de ajudante de cozinha e a filha, a Rosa, dava uma mão nas arrumações e divertia-se connosco, numa troca de impressões que hoje, acho muito curiosa.
Ela pasmava com o que nós, principalmente a Fernanda, que era “a menina de Lisboa” lhe contávamos. E nós, não pasmávamos menos com as histórias das desfolhadas, com o beijinho obrigatório quando aparecia o milho roxo, ou”milho rei”, das vindimas, onde era preciso levar o merendeiro aos vindimadores, incluindo os “derriços” das moças, os namoricos pelo meio dos milheirais e ficávamos suspensas da narrativa quando ela nos contava que A ou B tinha sido “enganada” Isso queria dizer que alguém tinha ultrapassado os limites das beijocas e ficava com um grande problema às costas. Por aqui se vê, que a juventude de então não era assim tão inocente. Mas das palavras aos factos ia uma grande diferença e nenhuma rapariga queria passar por “oferecida”que era o nome que se dava às atrevidas.
Com tudo isto, o enorme casarão que era até um pouco soturno e onde nós parecíamos passear como almas penadas, naquela altura animava-se como  uma Arvore de Natal iluminada ..Havia sempre movimento e vozes alegres de manhã, à tarde e à, noite, movimentos furtivos para arrumar as prendas do Natal, de maneira que a Fernandinha e a Anami não as vissem Mas era ao jantar, quando todos nos reuníamos, incluídos os tios que estavam no Hotel, que o dia nos parecia verdadeiramente maravilhoso 





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