Os factos são como um cesto das cerejas. Puxamos por uma e vem outras atrás. Coloquei uma velha fotografia tirada em Braga, num Natal, e a Marta achou que tal cenário campestre não podia ser do local para onde os bisavós tinham ido viver em 1941.
Compreendi a sua dúvida. Das histórias de Braga, ela só conhece o que a mãe lhe conta. E mesmo para a minha filha, a casa dos avós é a que ela conheceu, onde passou largo tempo com eles. Mas de facto, a casa do Jardim de Stª Barbara, muito urbana, foi a ultima onde viveram. A primeira foi a Quinta de Maximinos.
Quando fomos viver para Braga, em Agosto de 1941,vivemos no Hotel Central até os meus pais arranjarem uma casa a seu gosto. Creio que viram algumas, mas o lado rural do meu pai apaixonou-se pelo grande casarão situado num dos extremos da cidade, numa zona que, aparte o eléctrico que terminava a carreira, no grande largo onde estava situado o “palacete das Moreirinhas”parecia mais aldeia que cidade Era uma casa enorme, muito antiga, com 6 quartos de dormir, um salão, uma saleta, uma casa de jantar que comportava à vontade 20 pessoas, uma cozinha quase do tamanho a casa de jantar, uma despensa que parecia um quarto. Isto no andar principal. No primeiro andar tinha mais dez divisões, que incluíam arrumos e quartos para o pessoal. Casas de banho só havia uma, de lavatório de pé, com balde e jarro, uma sanita com autoclismo manual (deitava-se agua com um balde) e uma imponente banheira de porcelana assente em quatro garras de ferro fundido: quando fomos viver para lá, o meu pai inutilizou um dos quartos e transformou-o numa grande casa de banho e tornou operacional a que existia.
A casa estava inserida numa quinta, cheia de árvores de fruta e vinhas, possuindo uma adega, casas de lenha, cozinha rústica e um chiqueiro para porcos, pátios para galinhas e uma vacaria. Ainda antes que as obras mandadas executar pelo meu pai terminassem e nos alojássemos, foram chegando um casal de porcos, 2 vacas e um bezerro, várias galinhas e dois imponentes gansos, que guardavam a quinta melhor do que os cães.
Com a contratação dos “ auxiliares de apoio doméstico” Ana e Luísa, criada de fora e cozinheira, do Sr. Manuel que tomava conta da propriedade auxiliado pela mulher a Sr.ª Maria ficou completo o quadro operacional da enorme casa e finalmente, em Dezembro de 1941,mudámo-nos para lá.
Muito mais haverá a dizer da “Casa de Maximinos”, onde vivemos até 1949, quando mudámos para a Avª das Gavieiras Mas para já fica retratada essa casa excepcional a casa dos Natais, pois foi nela que tiveram lugar Natais e férias que nem eu nem as minhas primas esqueceremos.

Como devia ser bonita essa casa! E pelo que percebi já não existe!Agora há cimento!Sempre ouvi dizer que recordar é viver e de facto a tia faz isso de uma forma fantástica, partilhando com todos nós esses tempos. Continue a ir ao Baú e a partilhar esses belos momentos da forma que o faz e até nos parece que estamos "nesses tempos"
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