Familia Garrau Natal em Braga 1947

Familia Garrau Natal em Braga 1947

Entre a 1ª fotografia do clã reunido
em Braga e a 2ª fotografia do 1º Almoço Convívio da Família, passaram 60 anos
A primeira foi tirada em Braga, mais exactamente na Serra do Gerês,no dia de
Natal de 1947,durante o passeio após o Almoço de Natal.
A segunda foi tirada nos jardins de Montes Claros,Lisboa, em Outubro de 2007,no
Almoço Convívio que reuniu grande parte da família


Familia Garrau 2007

Familia Garrau 2007

quarta-feira, 23 de junho de 2010

NOITE DE S:JOÃO


NOITE DE S.JOÃO

As noites de S.João recordam-me a infância e a adolescência passadas em Braga, cidade onde o Santo era festejado numa tradição centenária.

Nós, os Lisboetas recém-chegados à cidade, aderimos imediatamente aos usos e costumes: comer o anho assado na véspera de S. João, no Largo da Ponte e no dia 24 ir almoçar a tradicional pescada de Vigo, frita com grelos estrugidos, o ” arroz dos miúdos”, aletria e Pão de Ló na ”casa da aldeia” de algum dos amigos. Regressávamos ao fim da tarde para assistir ao cortejo de Zé Pereiras, que desfilavam na Avenida Central atroando os ares com os seus monumentais bombos.

Foi também numa noite de S. João que a Avó Maria faleceu, serena e sossegadamente como sempre tinha vivido. Nunca vi a minha avó zangada ou escutei da sua boca uma palavra agreste. Jamais a ouvi tecer críticas, mesmo quando tinha razão.

É verdade que não teria permitido que a tratássemos por tu e certamente não nos sentiríamos à vontade para desfiarmos perante ela as desventuras ou alegrias dos nossos namoros.


Era uma mulher do tempo dela, enraizada na sua aldeia natal e nos seus costumes e que gostava de nós à sua maneira um tanto reservada Mas transformava-se numa pessoa afável quando falava da vida na aldeia, dos seus momentos de confusão, quando foi viver para a casa de S. Cristóvão. A luz eléctrica foi talvez a coisa mais estranha que encontrou. Dizia que ao princípio cada vez que accionava o interruptor de porcelana parecia-lhe realizar um milagre; do medo que sentia quando assomava à varanda e olhava para baixo;do prazer que tinha ao sair com o seu primeiro chapéu.

Faz hoje 56 anos que ela morreu e ainda recordo as suas histórias ingenuamente malandrecas, as suas narrações sobre os pais, os irmãos e irmãs, os acontecimentos da aldeia, o entusiasmo com que me falava do Círio, a grande festa da aldeia.


Penso que recordá-la e às suas conversas,com tanto carinho e constância é a maior homenagem que posso prestar-lhe.

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