Familia Garrau Natal em Braga 1947

Familia Garrau Natal em Braga 1947

Entre a 1ª fotografia do clã reunido
em Braga e a 2ª fotografia do 1º Almoço Convívio da Família, passaram 60 anos
A primeira foi tirada em Braga, mais exactamente na Serra do Gerês,no dia de
Natal de 1947,durante o passeio após o Almoço de Natal.
A segunda foi tirada nos jardins de Montes Claros,Lisboa, em Outubro de 2007,no
Almoço Convívio que reuniu grande parte da família


Familia Garrau 2007

Familia Garrau 2007

segunda-feira, 29 de março de 2010

AS GERAÇÕES MAIS NOVAS



Tal como o Arlindo e o Pedro, também eu, por vezes, lamento que as gerações mais novas não

dêem o seu contributo para a “saga” dos Garraus que nós, os mais velhos, tentamos fazer

E mais pena tenho que não se apercebam do motivo porque o fazemos. É certo que o fazemos porque gostamos e que ninguém nos encomendou recordar o passado para que ele esteja presente no futuro. Mas é muito desolador sermos apenas “uns”e não pessoas que têm antepassados comuns que nos legaram tradições e costumes e que fazem o possivel pormanter esses elos.

Mas compreendo-os.A vida tornou-se tão frenética, tão cheia, que nem dá para ver como por vezes ela é vazia. Também é mais fácil escrever no face book do que num blogue. O blogue tem que ter uma alma. Podemos dar erros ortográficos, indesculpáveis nos meus tempos de instrução primária, mas isso não impedirá que os sentimentos que pretendemos exprimir sejam compreensíveis. E para maior parte dos nossos jovens, além de ser difícil escrever é ainda mais difícil expressar ideias.

Por outro lado, têm tanto à sua disposição! No nosso tempo (e não uso este termo como uma bandeira) não havia televisão, jogos on line, playstation.Não saíamos com grupos de amigos podendo regressar à hora que quiséssemos. Não íamos para campos de férias sem os pais. Isso deixava-nos imenso tampo para pensar. Porque nas horas não ocupados pelo estudo e por aquilo que chamávamos obrigações (obrigação de arrumar o quarto antes de ir para a escola, obrigação de pôr a mesa, obrigação de ajudar,) restava-nos pensar, principalmente quando já não brincávamos com bonecas ou o arco e a vareta. Não se tratavam de altos pensamentos filosóficos, dávamos apenas livre curso à imaginação

Eu tive a sorte de, num período importante da minha vida, dos 11 aos dezoito anos, conviver com a minha avó Maria,que vivia connosco em Braga.

Por razões diversas éramos duas solitárias. Ela, porque devido a males do coração, não podendo frequentemente ao rés do chão vivia confinada no seu quarto, tendo por interlocutora avó Eucária. Eu, porque gostava muito de ler e pouco de falar (como eu mudei com respeito ao falar!) passava a vida no meu quarto, mesmo ao lado da avó Maria.

Aprendi rapidamente que a avó era uma infatigável contadora de histórias, não só de lendas, contos tradicionais, dos reis de Portugal e suas respectivas esposas, mas histórias da sua aldeia, da família, dos parentes, do seu casamento, do marido, dos tempos em que viveram em Lisboa e depois no Casal, até o Avô Ferreira morrer.Com treze anos eu conhecia a família tão bem como se sempre tivesse vivido com eles. Fazia-me ter calor quando falava no verão nas Carreiras e sentia-me aconchegada quando descrevia a grande cozinha da aldeia. Conheci assim o Zé Vineta e a Virtudes.Fez-me até sentir o sabor das belas cerejas do Casal da Cerca, o cheiro do trem em que se deslocavam a Torres Vedras.

Sem televisão, sem telemóvel para falar com as amigas, sem o Messenger, sem mesada, sem charros, a avó Maria, e as suas recordações tão vivamente recordadas foram as minhas grandes companheiras. e penso que foi ela que criou em mim, estas fortes raízes onde se fixa o meu entusiasmo. pelo passado.

Nos sessenta a anos de intervalo entre essa época e o momento presente, também escrevi pouco, não tive grandes ideias não me tornei peregrina dos lares familiares.Também eu vivia a minha vidinha não esquecendo os costumes familiares,as recordações da avó,mas sem me deter nelas ou desejar transmiti-las

Quase por acaso,num brincadeira, a Gazeta dos Garraus foi o grande elo de ligação entre alguns de nós.aproximando a familia,revendo parentes que já não víamos há muito,fazendo que os mais jovens se conhecessem.

O nosso magnífico 1ºAlmoço Convívio não foi repetido com o mesmo interesse? Que havemos de fazer? Os que nos reunimos nos nossos bem-humorados e apetitosas almoços, somos bastantes.

Os jovens não colaboram? Tenho pena, mas concordo que as suas inúmeras ocupações serão bem mais interessantes que escreverem no Blogue:- Olá pessoal, estamos vivos, não temos é tempo, nem assunto para cotas” sigamos em frente. E pensemos como o filósofo:

“ah! se os novos soubessem e os velhos pudessem!”

O

3 comentários:

  1. Tudo o que a Tia Mimi disse assino por baixo sem acrescentar sequer uma virgula.Estou certo que os jovens e os menos jovens,depois de lerem esta mensagam realista da Tia Mimi,vão contribuir nem que seja para dizer "bom dia,está tudo bem".

    FORÇA GARRAUS

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  2. Ora vamos lá ver se consigo "arrumar" ideias! Já dissemos (os que cá escrevem)aqui, por mais do que uma vez que gostavamos de ver os jovens a participar no blogue com as suas "aventuras"! É bem verdade, mas efectivamente para os "encontrarmos" temos mesmo que ir para o Facebook!! Mas e os menos jovens?? Pois é estamos sempre a "bater" nos jovens e os menos jovens? Sim porque também são muitos, vêm cá provavelmente mas.......não dizem nada!! Enfim, este núcleo duro continua com muito gosto a participar nesta aventura e..... para os que vêm só ver posso garantir que é gratificante!!....

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  3. Obrigado Tia Mimi por mais um momento de realismo.
    É verdade que hoje existem meios de comunicação que absorvem muito os mais novos e não só, mas façamos um pequeno exercicio: se cada um de nós "Garraus" dedicar 5 minutos, do tempo que está na Net, a apoiar e enriquecer, com as suas histórias, o Blog, estou certo que todos nós ficavamos mais "Ricos", no que diz respeito ao conhecimento da familia e de nós próprios.

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